27/04/2022
Vale a pena financiar imóvel em 2022?

Compartilhe

O grande aumento da taxa básica de juros da economia (taxa SELIC) preocupou quem tinha planos de comprar imóveis ainda neste ano. Não é à toa, a taxa saiu de 2,25% para 11,75% a.a. em questão de meses. Para ajudar a entender os impactos que isso causa nos juros de financiamento imobiliário, buscamos analisar os dados desse mercado. Saiba mais a seguir.

A variação das taxas de juros no mercado imobiliário

Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) diz que “muito se fala sobre a disparada da taxa SELIC, mas a taxa de financiamento imobiliário aumenta em proporções diferentes”. Nos últimos meses, a taxa média nominal dos financiamentos imobiliários variou pouco: foi de 7,9% em janeiro de 2021 para 9,33% em março de 2022. 

Para complementar esse entendimento, Filipe Pontual, diretor-executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), lembra que  “a subida eventual do custo do financiamento imobiliário não é tão rápida e nem na mesma força da subida da SELIC. A taxa de juros praticada  pelos bancos tem um bom amortecimento em relação à da SELIC”. 

Adicionando ao fato de que as taxas para crédito imobiliário não podem passar de 12% a.a., a previsão é que tenhamos taxas entre 9% e 10% em 2022. Ou seja, o mercado já apresenta um quadro de estabilidade ou crescimento moderado para os próximos meses.

E qual motivo disto acontecer?

O motivo é simples, não existe nenhum segmento de crédito com melhor garantia de inadimplência do que o crédito imobiliário. Portanto, esse mercado apresenta a menor perda do mercado. Para se ter uma ideia, no final de 2021, a inadimplência nos contratos de financiamentos imobiliários no SFH foi de apenas 0,7%, de acordo com o Banco Central. 

Pesquisas sobre os impactos de consumo também ajudam no entendimento 

Somente o aumento de juros não retrai o consumo, porém impacta. Há uma redução na capacidade de compra, já que a parcela do financiamento não pode comprometer mais do que 30% da renda. Então, se antes você tinha com a sua renda uma capacidade de compra de um imóvel de R$ 500.000,00, com a taxa de juros subindo você talvez não consiga financiar tudo isso e você precise dar uma entrada maior – podendo dificultar na hora de comprar um imóvel.

Para comprovar essa tese, analisamos uma pesquisa da ABRAINC que comprovou: os aumentos na taxa de juros influenciam pouco na decisão de comprar um imóvel. Consumidores que compraram imóveis no ano passado foram perguntados se teriam desistido do negócio, caso a taxa do financiamento imobiliário subisse 0,5%. A resposta foi que 69% dos entrevistados responderam que não. Já com uma alta de 1,5% nos juros, 65% ainda se disseram interessados. Há um impacto, porém ainda é verificado bastante apetite no mercado. 

Por fim, verifica-se que o avanço no mercado imobiliário deve ser analisado por três fatores:

  1. Políticas sociais (demandas por mudanças sociais são observadas);
  2. Custo do crédito (mesmo subindo, vimos que influencia, mas não inibe a compra do imóvel);
  3. Nível de empregabilidade (para verificar maior segurança a longo prazo).

Cuidado! Cada caso deve ser estudado

Há várias hipóteses na hora de comprar um imóvel. Todos os casos devem ser analisados. Por exemplo, no caso de consumidores que podem dar uma entrada muito baixa, recomendamos aguardar um pouco. Os bancos geralmente cobram uma entrada mínima com prazo de 30 anos de 20% do valor do imóvel. Contudo, em épocas de taxas mais altas, como verificado agora, quanto maior a entrada, melhor. Quanto menor for o valor financiado, mais baixo é o montante sobre o qual os juros vão recair, fazendo com que você pague menos juros no final das contas.

Já para quem pode comprar imóveis à vista, com a pandemia e alta de juros, existem imóveis com preços atrativos, justamente porque com os juros altos a demanda cai e o comprador pode encontrar boas oportunidades.

O que os dados do mercado imobiliário estão nos dizendo?

Dados indicam que o mercado imobiliário está em desaceleração em várias cidades do Brasil. De acordo com o Índice FipeZap, que monitora o preço de imóveis à venda nas principais cidades do Brasil, revelou que o valor médio dos imóveis cresceu 6,10% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação é de previstos 10,69%. A inflação verificada está maior do que a evolução dos preços dos imóveis em várias cidades do Brasil, indicando uma boa oportunidade de compra.

Com isso, caso o comprador encontre um imóvel com bom preço e faça um financiamento neste momento, ele poderá solicitar portabilidade de crédito ou negociar taxas com o banco no futuro, se os juros voltarem a cair. Já existem projeções que em alguns anos, a taxa SELIC volte a cair, chegando a 9% em 2023. Vale acompanhar as cenas dos próximos capítulos.

Então, posso afirmar que vale a pena comprar um imóvel financiado hoje?

Com vários dados e cenários analisados, mesmo que o custo do financiamento seja maior, para quem já estava querendo comprar um imóvel, é uma aposta que ainda vale a pena. É só analisar antes, como sempre falamos por aqui.

Busque entender quais linhas de crédito você consegue pegar, e lembrar que é totalmente possível imaginar que em algum momento não tão distante,  os juros vão voltar a cair. Então a pessoa que consegue pagar hoje vai conseguir pagar no futuro. E as portabilidades de financiamento imobiliárias estão aí para serem aproveitadas. Então, se o negócio for bom, compre e financie sem medo.

Se você tiver dúvidas em algum dado ou como estudar as informações aqui tratadas, lembre-se que a Lidderar pode fazer isso para você. Entre em contato, será um prazer discutir esse e outros temas do mercado imobiliário.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *